Categoria: Mamãe Blogueira

Categoria destinada à troca de experiências maternas por meio de divertidos textos da jornalista Carol Garcia

criança

Isaac está numa fase doida.

Do um zilhão de palavras que ele fala por dia, metade delas representam a anatomia humana.

Não acho ruim.

É fase.

Está se descobrindo como homem, como ser. Com diferenças e necessidades.

Mas acontece que ele tem achado graça master em ser um Ari Toledo mirim.

Fala bunda, pipi, cocô, pum e pitica (apelido do órgão sexual feminino por aqui) aos quatro ventos.

Inventa músicas, frases, histórias.

Muda o nome das coisas e acrescenta bunda a todas as fonéticas possíveis.

Não fico brava. Só explico.

Falo que há lugares e momentos certos pra colocar as “bundas de fora”.

Ele não entende não.

Acha um absurdo coisa tão natural “que todo mundo tem, né mamãe?”, ter que ficar só dentro da cabeça da gente.

Eu não sou das bocas mais limpas desse planeta, mas ele não me vê falando da minha própria ou da bunda alheia assim, nas rodinhas e reuniões.

Mas sei que é o básico da idade.

Já convivi com outras crianças que, no auge dos seus 4 anos, gritavam BUNDA assim, como se fosse a melhor palavra do mundo a ser dita.

Já recebi olhares horrorizados.

Já fui vítima de bullying nas rodinhas de mães.

Já dei risada de tudo isso.

E já fui séria quando necessário.

Mas e aí?

Uma hora acaba, né?

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criança imitando03

Que “criança vê, criança repete” já estamos todos carecas de saber.

Mas é engraçado perceber isso no dia-a-dia, né?

Já ouvi do filhote as seguintes reprises do que eu mesma falo:

– Estou com enxaqueca.

– Pai amado! Que calor é esse?

– Sente, mamãe, que vento abençoado.

– Iron! Volte já aqui que eu vou dar um nó no seu pipi! (não, não torturamos animaizinhos, é só um jeito de demonstrar raivinha diante dos xixis pela casa)

– Afe!

– Você não me entende! Você realmente não me entende!

– Vou só dar uma descansada, tá?

E esses dias, me veio com a pérola plagiada, todo cheio de si. Achado que ia colar mesmo e eu ia ceder, deixando que ele almoçasse na sala, vendo tv:

– Olha mãe, como o papai não vem almoçar, a gente almoça na sala e assim deixa a roberta livre pra adiantar o serviço…

Mereço?

Mereço.

 

Carol Garcia

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por que?

Das fases dessa vida.

Isaac está então naquelas de saber de tudo.

E não é a tal fase do porquê.

Ele quer saber como as coisas funcionam, como o tempo age na vida das pessoas, como os remédios curam, como a água é líquida, como a espuma do sabão se forma, se há o pause na brincadeira como no filme, onde estão as pessoas que já morreram, se papai do céu está vivo ou morto, como menino é menino e menina é menina, etc, etc, etc, infinitos etc…

Vamos então tentando responder tudo, da melhor maneira que podemos, em jeito e vocabulário próprios para a idade da cria.

O mais interessante é que quando nós queremos saber de onde vem tal atitude ou pergunta ele responde até onde quer e depois se blinda com um simples “eu não lembro”.

E se fecha.

Nós?

Ficamos chupando o dedo.

Mas a curiosidade e o espírito explorador não param por aí.

Quando tocamos em algum assunto, ele fica meio desconfiado, responde até onde quer, mas longe de deixar quieto espera um tempo.

Espera e logo vem com a questão “mas porque você estava falando daquilo comigo?”.

Oportunidade para retomar a conversa, o assunto, o papinho?

Sim.

Até onde ele quiser que o papinho vá.

 

Carol Garcia

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criança mandona

Isaac, com seus 4 anos e meio já tem certeza absoluta que é dono do próprio nariz.

Toma suas decisões, tem suas preferências e não se abala com nenhuma variação da palavra não.

… só que não…

Ele até pensa que manda no mundo, mas sabe bem que não é assim que a banda toca.

Damos a ele total poder de escolha, mas com os vetos que nos cabem.

Ele sabe disso, mas sofre, sofre, sofre quando suas vontades não são atendidas.

Argumenta, questiona, cansa, mas dar o braço a torcer é o mesmo que a morte.

Bufa, chora, esperneia, faz show e encena o dramalhão perguntando “porqueeeeeee?” com as mãos na cabeça.

Já entrou numas de enumerar quem manda em quê.

Já quase desencadeou guerra familiar dizendo que um manda mais que o outro lá em casa.

Já tentou muito mandar na gente, nos cachorros, em tudo.

Outro dia fico desconfiada ao ouvir o som do silêncio.

– Isaac! Tá tudo bem por aí?

– hã hã.

– E o que você está fazendo?

– Assistindo um filminho.

Como assim?

Chegou da escola, tirou a camiseta, foi pra sala, ligou a tv, se esticou no sofá e zero satisfação.

Aproveitei para um momento “calma lá meu filho”.

Expliquei que as coisas não funcionam desta maneira.

Isaac sabe muito bem que tem hora pra assistir tv, que devemos aprovar ou não o que ele vai assistir.

Blá, blá, blá, televisão demais não é bacana, há programas que não são feitos para crianças da sua idade, blá, blá, blá…

Ele virou os olhos, emburrou.

E mandou, bem na minha cara:

– Tá. Você quer então que eu desligue agora ou não?

Oh! Adolescência! O que guarda para mim????

 

Carol Garcia

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nojeiras

Isaac tem achado muita graça na natureza humana.

E nas necessidades naturais do ser humano também.

Mas não só do ser humano.

Virou campeão master em “Vaca amarela”.

E está super orgulhoso do vocabulário que está acumulando.

São infinitas variações para fezes, melecas, arrotos e puns.

– Mamãe, você come cocô frito.

Se eu fico horrorizada com esse tipo de afirmação?

Necas.

Só respondo:

– E você, Isaac, come cocô assado, com calda de caca de nariz e cobertura de pum!

Pronto.

Assunto resolvido.

Não dou bronca, até porque não vejo motivo.

Apenas converso e mostro que há horas e lugares para falar sobre essas coisinhas fedidinhas.

Ele?

Acha graça, né?!

Começou até a compôr músicas bem no estilo banheiro público.

Lembram da “se você está contente bata palmas”?

Então saquem a versão fase nojo do Isaac:

– Se você tem bumbum solte um pum!

(aí faz o maior barulhão com a boca)

ou então

– Se você é porcalhão bate no meu popozão!

quer mais?

– Se você tem muita remela, então fica na janela.

– Se você tem muita caca dá risada… HAHAHA!!!

E ri feliz.

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