Categoria: Mamãe Blogueira

Categoria destinada à troca de experiências maternas por meio de divertidos textos da jornalista Carol Garcia

verdade

E então que a culpa é minha. Tá, sempre é, mas desta vez é mesmo.

Eu tô assim, além de culpada, sendo empurrada. Estou num processo importantíssimo.

Decisões, escolhas, mudanças. Elencando prioridades, colocando tudo na balança.

E qual o motivo disso?

Bom,

Além do “tá na hora”, aliás, já passou dela, mas com certas coisas sou super cuidadosa, tem o motivo master de eu ter me perdido em alguns propósitos.

E esses, meu bem, tem tudo a ver com a Carol que escolheu constituir família, ser mãe, lutar por isso com todas as forças.

Eu fiquei sem tempo. Tempo pra tudo e tempo para nada.

Horários, horários, horários. Noites mal dormidas, dias mal aproveitados.

Qualidade de vida nível zero.

Logo, fui vendo como tudo isso afeta na vida lá em casa.

Sério, triste, mas graças a deus e a boa vontade do ser humano, tem conserto.

Primeiro que eu vivo morta. De cansaço e falta de vontade.

Depois que ninguém é feliz assim. E se eu não tô feliz….

Esse feriado mesmo.

Trabalhei na quinta, na sexta e no domingo.

Ontem a tarde vi que Isaac estava a ponto de me matar sufocada com uma peça de lego.

Olhei bem nos olhos dele e perguntei:

– A mamãe está muito chata?

– Ô se está.

Morri um pouco. E com uma dor inexplicável prometi a ele e a mim mesma que as coisas iriam mudar.

Iriam , não! Já começaram. Decidido, definido, pronto.

Hoje vai ser diferente.

Tapete da sala, corrida pelos quartos, relógio bem longe.

E eu escrevendo agora, sinto outra coisa.

A saudade que eu estava disso tudo.

Dessa vida.

*Observações para mim mesma:

Não, ainda não é uma opção tirar Isaac do inglês e da natação.

Primeiro que natação, além de fazer bem à saúde e ser uma questão de segurança, filhote gosta, se sente bem. Sente falta da atividade quando não vai.

E o inglês – tirando o contato com outro idioma (o que acho sim importantíssimo já que tudo é ou tem a língua inglesa no meio) – é um momento de confraternização com os amigos. São 3 meninos na turma, que se gostam e se entendem. E por mais que eu ame brincar com meu filho, sei que nunca vou superar as brincadeiras com os pequenos da mesma idade.

E eu não matriculei Isaac nessas atividades por desespero. Nem estou procurando desculpas para terceirizar momentos com o meu filho, até porque enquanto ele está lá, sendo criança, eu estou na salinha de espera, sendo mãe.

Carol Garcia

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preguiçosa

Isaac, meu filho lindo de 4 anos e quase 8 meses, está crescendo.

Cresce em tamanho. Perde as calças, as meias, os sapatos, as camisetas.

Perde e ganha.

Repassa uniforme para o primo, brinquedos aos amigos (que ele mesmo escolhe o que vai pra quem e eu me mato de orgulho – de mim e dele), roupas ao filho da moça que nos ajuda em casa.

E assim cresce como pessoa, ser, indivíduo.

Está mais consciente de quem é, das consequências de ser, do agir, do sentir, do saber e do não saber.

E é aqui que começa o papo que motivou esse post.

E é aqui que o processo educacional, já complexo e intenso, se transforma.

Lógico que (tentamos) seguimos na linha entre coerência e loucura.

Entre paciência e loucura.

Entre respirar fundo e sair correndo.

Mas não desistimos.

Eu não desisto.

Acontece que Isaac tem características bem marcantes.

E nesta fase vamos descobrindo que algumas delas devem ser trabalhadas o quanto antes.

O objetivo não é removê-las.

É aproveitar o melhor e o pior delas para o bem.

Bem do Isaac, desta família e alegria geral da nação.

Ouvi de uma querida a máxima “nasceu de 7 meses” ao presenciar as crises de pressa que meu filho tem.

Pensei em ter alí na frente uma adivinha.

Isaac nasceu mesmo de 7 meses.

Se é por conta disso ou não, eu não sei.

Se é por cor causa dos meu erros de mãe coruja ao extremo, que sempre atendi tudo com rapidez, pode ser.

Se é porque ele ainda não sabe que paciência é a maior riqueza que podemos carregar para a vida, talvez.

Isaac vive com pressa. Não tem um pingo de paciência para esperar um prato ou uma resposta.

Reclama, resmunga, se irrita.

E eu, graças a deus, pacientemente, tento mostrar que esse não é o melhor caminho.

(Pra algumas coisas, talvez seja, mas agora acho que não é)

Una então, a plena preguiça em ter paciência com a plena preguiça e com o fato de termos em casa um fruto de uma geração que vive do imediato, da rapidez e do descartável.

Ontem mesmo tivemos uma experiência

Eu e Isaac juntos.

Voltando da escola ele adora tirar os sapatos no carro.

Já expliquei que ele deve olhar para o cadarço antes de puxar.

Mas ele não olha e fica uma arara quando o laço vira nó.

E puxa mais forte. E o nó se torna um inimigo invencível.

Resolvi usar a oportunidade para pedir que ele tentasse ir se livrando do nó até em casa.

Como se fosse um jogo.

Ele desistiu em 2 segundos.

Insisti no lance da paciência.

Nada.

E ouvi uma boa porção de “eu não consigo”

E estremeci em cada uma delas.

Vi alí, então, a necessidade de falar sobre persistir.

Contei que, se eu tivesse desistido não o teria.

Aliás, não teria nem marido, nem namoro, nem faculdade, nem profissão.

Sei que as dificuldades da vida parecem ser assunto duro demais para uma criança de 4 anos.

Mas alí foi necessário.

Não aguentei ver meu filho vencido por um nó de cadarço.

Sei que da experiência de vida que ele tem, um nó pode ser uma muralha, mas é preciso começar a aprender a escalar, desbravar, descobrir.

E assim, aprender que para tudo há limites.

Até entre não desistir e se entregar.

O que é extremamente normal.

Se entregar não é uma doença, mas acho que não pode ser uma primeira opção.

 

Carol Garcia

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cavalo

Daqueles papos que vale a pena registrar.

– Mamãe, como surgiu o cajado do Jack Frost?

(Se não entendeu a pergunta, abra uma nova janela e pesquise “A Origem dos Guardiões” no tio Google. Se entendeu, pule para a próxima linha deste post).

– Ele não ganhou o cajado do Homem na Lua?

– É, ganhou…

Silêncio.

E menos de um segundo depois, papo retomado:

– E quem é esse homem da lua?

– Hummm… pode ser o papai do céu, não pode?

– Não!

– Não?

(Danou-se… explica como hein?)

– Não, mamãe.

– Então quem será esse cara?

(Esse cara sou eu, Rei????)

– Eu acho que é aquele que lutou com o dragão.

– O São Jorge?

– É. ele.

– Pode ser sim filho. Tem razão.

-É, mãe, mas me explica uma coisa?

(Danou-se… e agora? ligo pra Glória Perez?)

– Explico. O que?

– Como é que esse São Jorge levou um cavalo marinho lá pra lua?

– Cavalo marinho? Aaaa…. ele tem um cavalo sim, branco, que não é marinho. é cavalo de quatro patas mesmo, com rabo e crina.

– Aaaa…. igual aquele que fica perto de casa com a carroça que pega lixo pra usar de novo (lê-se reciclável)?

– Isso.

– Coitadinho.

– Do São Jorge ou do cavalo?

– Do cavalo. Morar na lua deve ser bem legal.

– Também acho.

Suspiro.

– E nós, mamãe? O que vamos aprontar hoje?

(Filho de quem esse menino, meu deus?)

– Ô amor… nós vamos levar um monte de carinho pra vovó. ela está bem triste hoje.

– É?

– É. a sua bisa, a mamãe dela que mora láááááá no outro país, agora foi morar com o papai do céu.

– Por que?

– Ela estava muito velhinha.

– Velhinha quanto? 30?

(Ploft! Momento depressão aos 33)

– Não, amor. velhinha com 100.

– Cem?

– É. e ela foi morar com o papai do céu…

Silêncio.

Por dois segundos.

E eu me preparo para a próxima leva de perguntas e ele detona:

– Eu fui ao parque hoje e meu tênis tá lotadaço de areia.

 

Carol Garcia

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tempo

Escrevo esse post, meio desajeitado, com essa música que não sai da cabeça desde ontem.

Acontece que entre o tempo que vivo, milimetricamente calculado – se é que posso usar essa unidade de medida para tempo – tenho que explicar o tempo que o tempo tem ao meu filho de 4 anos.

Isaac já estuda os dias, meses e momentos na escola, que esse ano lhe deu um calendário.

Acho válido o aprendizado, mas morro de dó deles, tão pequeninos, já se prendendo a semana, ao final de semana – que aliás, Isaac já reclama ser curto demais (filho de quem será esse menino?) – ao tempo que sobra e ao tempo que falta.

O tempo é ingrato.

As vezes sim as vezes não. mas é.

Ingrato agora comigo, que tenho que mostrar o tamanho do tempo ao meu filho.

– Mãe, já está na hora da natação?

– Ainda não, filho, faltam 10 minutos…

– Dez minutos é contar 1,2,3,4,5,6,7,8,9 e 10?

– Não, amor, isso são 10 segundos.

– E quanto são 10 minutos?

– Cada minuto tem 60 segundos. então são 600 segundos.

– Nooooooossa! mas 600 é muito!

E ele se frustra, quando depois dos rápidos 10 minutos eu o chamo pra natação.

E como se não bastasse tudo o que contar o tempo engloba – falo aqui da questão psicológica, cansadológica e culpológica da coisa toda – agora eu tenho é que me virar na medidas.

Uma fita métrica seria linda. uma que conseguisse tal proeza.

– Mãe, nós já vamos pro inglês?

– Ainda não. falta meia hora.

– Meia hora? quanto é meia hora?

– 30 minutos.

– Hummm… e quanto é isso?

Pensei e, no cansaço todo, na vontade de chorar, de sentar e brincar sem olhar pro relógio, me rendi:

– 30 minutos é um desenho do diskovery.

Ele entendeu.

E eu tô tentando me entender até agora.

Ou eternamente.

 

Carol Garcia

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rejeitada

Isaac não me ama mais.

buááááááá…….

Pronto.

Limpa rostinho.

Drama feito, posso continuar…

Acontece que eu, tão acostumada a ter o grude da mamãe sempre por perto agora me vejo jogada de escanteio.

Sério. Ele não vê mais graça em mim.

(escorre lagrimazinha)

Ele não me dá mais tanta bola.

(solucinho)

Ele prefere assistir o Ben 10 do que brincar comigo no chão da sala.

(toma golinho dágua)

Ele bufa e olha pra cima quando eu tento uma aproximação.

(mão na cabeça e suspiro profundo)

Diz a Querida Psicóloga (e eu resumo aqui bem resumidinho) que a culpa é do Édipo, aquele sacana.

Que é uma fase em que Isaac está se sentindo excluído por eu não deixar que ele tome o lugar do pai, do meu trabalho e seja tudo pra mim nessa vida.

Mas ele é! – diz a mãe indignada, contida e sofredora.

Ele é. Mas nem tanto, saca?

Não pode ser.

E então que agora ele se vinga de mim com um comportamento “sai daqui que eu não preciso de você” com pitadas “vou fazer muita coisa pra te provocar”.

Logo, como consequência eu virei a chata da rotina que envolve tomar banho, remédio, escovar os dentes, dormir na hora, natação, pediatra, dentista, aula de inglês.

É o que temos feito juntos.

Ontem tentei até o fim do dia que ele sentasse pra brincar comigo.

Uma das respostas foi “eu ainda tenho uns minutos no iPad, né?” e a outra foi “agora é hora do filminho”.

Choro? Choooooro escondidinha no banheiro.

Acabou?

Nada.

Na tal hora do filminho sentei pra assistir junto e ganhei uma bufada catalã. Daquelas que me deu saudade de Barcelona.

A seguir cenas…..

 

Carol Garcia

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