Categoria: Mamãe Blogueira

Categoria destinada à troca de experiências maternas por meio de divertidos textos da jornalista Carol Garcia

mae

Enfim.

Depois de 2 meses no esquema pega na escola-leva pra casa-almoça-leva pra natação-psicóloga-inglês-mercado-padaria-quitanda-amigos-trabalho, eu deitei a cabeça no travesseiro e fiz o drama que me cabe:

Why me, Lord?!?!?!

Fiquei um tempo deitada olhando pro teto, tentando me lembrar de algum detalhe bacana do meu meio período com Isaac.

E nada.

Não lembrei. E também não vivi.

E quase me matei afogada com o travesseiro.

Fiquei com raiva.

Como assim?

O dia agora é feito de compromissos e obrigações e a gente quase nem brinca mais.

Não tem mais aqueles longos papos. Não veste fantasia e rola no chão.

Nada.

A gente não anda mais pelo condomínio, a gente não para no Bosque pra se encher de areia, a gente não vai andar no shopping só pra ir conferir os cartazes novos do cinema.

Nada.

E ontem, quando ele pediu pra fazer o cineminha do final do dia eu dormi. Capotei na metade do filme.

E o pequeno só me acordou avisando que o filme tinha acabado e perguntou se já era hora de ir pra cama.

E que ódio que me deu.

Dos grandes.

Ódio de mim, dessa vida corrida.

Desse tempo que corre.

E como é que foi que as coisas ficaram desse jeito?

Matematicamente simples.

Enfie tudo o que der e o que não der em 24 horas.

Pronto.

Excedi o limite.

De tudo.

E deu que agora levo uma vida milimetricamente regida pelos segundos que me cabem.

E eu não quero viver assim.

Não quero e pronto.

 

Carol Garcia

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anjinho

Isaac é ser evoluído espiritualmente. Bem mais do que eu.

Até onde consigo entender, é um menino de 4 anos que fala sobre fantasmas, anjos e papai do céu com naturalidade ímpar.

Nasceu católico, já que foi batizado como tal.

Eu também. Sou católica desde que nasci, mas tenho me interessado demais pela doutrina espírita.

Mas assim, não sou super praticante em ambos os casos.

Acredito em Deus. Converso com ele todos os dias. Clamo a ele quando acho que é a hora.

Enfim,

Isaac tem tido pesadelos e quando acontece pede que eu faça uma oração.

Agradece junto conosco antes de dormir.

Faz a prece antes do lanchinho na escola.

Acredita.

E nos últimos dias tem pedido pra agradecer em silêncio, já deitado na cama.

Eu respeito e fico alí, observando ele fazer do jeito dele. Sempre de olhos fechados.

Ontem ele pediu que eu orasse em silêncio.

Assim que abri meus olhos vi que ele estava sorrindo.

Sorri também e ele concluiu:

– Mamãe, quando você faz oração vem um passarinho e leva uma mensagem ao papai do céu.

– Uma mensagem filho? Então ele tem nos ouvido?

– É. Mas quando ele não gosta de uma coisa ele joga a mensagem fora.

– Entendi.

– E quando ele gosta, troca cada mensagem por uma benção.

– E nós temos uma vida muito abençoada, né Isaac?

– É.

Sorriu, virou e dormiu.

 

Carol Garcia

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pergunta

E a conversinha apareceu de novo.

Mas desta vez não tive a sorte de contar com os fofos pinguiNHOs pra me ajudar nos exemplos.

A pergunta veio na lata.

Bem como eu achei que viria.

  

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Então que eu não tive medo de parto normal ou cesárea.

Não tive medo das mais de 200 injeções que tomei.

Não tive medo de bebê prematuro, de cuidar sozinha, dar vacina.

Mas confesso, tinha um pavor enorme de Isaac trocar o R pelo L eternamente.

  

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Lá estava eu, de novo, esparramando a bunda pelas beiradas da cadeirinha colorida.

Reunião de pais e mestres.

Professora nova, reencontro com as mães, sorriso para os amigos turminha.

Prestei bem atenção aos novos detalhes da rotina do Isaac.

Inglês, aula de música, brinquedoteca, educação física, tarefinhas, projetos de leitura, corpo humano, virtudes e valores, …, …, …

Prestei atenção.

Anotei.

Perguntei.

Pensei sobre o tempo, vi os pequeninos alí, nem tão pequeninos assim.

Cresceram.

Cresci.

Envelheci.

Mas sem dor, sem tristeza.

Só constatei alí que o tempo passa mesmo. E sem piedade.

O assunto desfralde deu lugar ao “eles pedem e a auxiliar os acompanha ao banheiro”.

Toalhinha e tapetinhos ficaram lá no passado.

A caixinha com lápis, giz e caneta se transformou em um estojo grande, com duas repartições.

E cada um cuida do seu próprio material, nos explicou a professora.

E cada um reconhece o próprio nome, portanto mandem os itens etiquetados.

Alfabeto, escrita espontânea, evolução do desenho, coordenação específica.

Números, ciências, estudos sociais.

Livros, atividades, tesoura.

Novo pra ele, novo pra mim.

Carol Garcia

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