Categoria: Mamãe Blogueira

Categoria destinada à troca de experiências maternas por meio de divertidos textos da jornalista Carol Garcia

tempo

- Mamãe!!! É amanhã que eu vou ser do Jardim 1??? – disse o menininho de 4 anos, já cansado do clima de férias que habita nossa casa desde dezembro.

 

- Não, filhinho… Tem mais uma semana de férias. Aí sim você vai ser do Jardim 1.

 

E ele emburra.

Emburra porque esperar é um saco.

Ainda mais nessa idade onde tudo parece ser perda de tempo.

Ainda mais quando cinco minutos é tempo demais.

 

Isaac tem sofrido com esse negócio de contar o tempo.

Está entendendo sobre os conjuntos de dias que formam semanas, meses e anos.

Também arrisca sobre segundos, minutos e horas.

E se a contagem passa de dois (sejam segundos ou anos) ele já acha um absurdo.

 

Não quer esperar.

Quer tudo imediatamente agora.

Bufa, faz cara feia, pergunta sobre o tempo e reclama dele.

E sofre.

 

- Mamãe, nós vamos ficar muito aqui na casa do amigo?

 

- Não, amor, vamos embora daqui a pouquinho.

 

Pronto.

Aí a ansiedade é tanta que ele perde todo o tempo que deveria ser brincado vindo me fazer a tal pergunta:

 

- Nós já vamos embora????

 

E acaba que não brinca.

Passa mais tempo me questionando sobre o tempo que lhe resta e roendo o tico de unha que lhe sobra do que brincando.

Triste.

 

Eu acho uma pena.

Mas sei que ele ainda não tem esse controle.

Um dia terá.

Mas hoje sofre.

E não sabe o que é se arrepender direito.12

E continua de mal com o tempo.

Até que um dia aprende.

Tomara

Carol Garcia

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Aí você lê esse título e acha que eu fui a alguma final de campeonato.

Não.

Pensa que me meti a ser ativista em algum movimento sem medo de nada.

Não.

Então de onde raios saiu essa violência toda, pergunta a querida leitora.

E eu respondo:

Do comportamento louco que agora habita a rotina do loirinho fofinho que chamo de filho.

Simples.

Sofri (oh! vida!) tanto em vê-lo sendo aquele que apanha, que perde o brinquedo, que não revida… que no mínimo, fui castigada.

Dramas a parte, sei que é fase.

Fui avisada pela Querida Psicóloga que ele estaria soltando “alguns monstros” nos próximos capítulos e assim foi.

Agora Isaac é encrenqueiro.

Daqueles que vão pra cima até dos meninos maiores.

Eu fico de longe deixando ele aprender algo com isso, mas me enfio no meio quando acho que devo:

 

- Mas eles me chamaram de tampinha mamãe….

 

- Ok. Você está certíssimo em se defender. Mas a mamãe veio porque “brincadeira de mão” não dá muito certo.

 

(eu é que não ia deixar dois marmanjinhos de 8 anos judiarem do meu filho, certo?)

 

Mas existem outras situações também. Ele não é vitima.

Fomos passear ontem numa praça pública, cheia de equipamentos para ginástica.

Logo Isaac ganhou uma fã (uma menininha de dois anos) que o seguia por onde ele fosse.

E tão logo quanto, a fã ganhou cara feia e um apertão daqueles.

Daqueles com raiva, pra doer.

E lá fomos nós, procurar um meio termo e salvar a pequena desconhecida (e que um dia vai dar uma fora nele na balada, certeza):

 

- Mas ela está me seguindo.

 

- E você não sabe pedir pra ela parar?

 

Embicou e calou.

Em casa retomamos um pouco a questão.

E vamos convivendo com a necessidade de ensinar quando e como usar essa raiva que ele libera agora.

Não é fácil.

Ainda mais quando nos tornamos alvos também.

Isaac tentou me bater e não ficou feliz com as consequências.

Agora ele não faz mais isso.

Ele urra, berra, e me xinga numa língua que só ele entende.

Eu vou aprendendo.

E tentando.

Muito.

Carol Garcia

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Confesso.

Ando pelada pela casa. Tomo banho com filhote. E não sou nada adepta das portas trancadas.

Mas além do conforto e sensação de liberdade que isso me traz, ganho também comentários do menininho que alí cresce e percebe as diferenças nos seres humanos.

Saio do banho, começo a me arrumar e logo vem Isaac me mirando.

Olhou, olhou e concluiu:

- Mamãe, você parece um graaaande rosto.

- Ah é? Como assim?

Dedinhos apontaram meus seios:

- São dois olhos.

Apontaram meu umbigo:

- Um naliz.

Apontaram minhas partes íntimas:

- E uma boca.

- Hummmm…. então eu pareço um rosto.

- É, mas seus olhos estão um pouco caídos.

Toma!

Carol Garcia

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Isaac adora livros.

E filmes também.

Sem preconceito, ele assiste de tudo. De heróis a princesas.

Tira proveito de tudo, aprende até com a mais cor de rosa das bonecas.

E eu, que também adoro as novidades do cinema de animação, não me canso de assistir com ele.

Lógico que papeamos muito depois:

- A princesa Merida é a melhor.

- Pq mamãe?

- Pq ela é decidida, corajosa, cavalga e não penteia o cabelo.

- É. não penteia.

- E tem mais. Não é extremamente loira como todas as outras.

- Ela é o quê?

- É ruiva.

- Ruuuuuuuiva?

- Sim. Quem tem cabelo vermelho é ruivo.

- huuuuummmmm…

- Vc nasceu ruivo, sabia?

- Meu cabelo era vermelho????

- Isso. Vermelho.

- Você passou tinta de canetinha em mim?

Carol Garcia

 

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Pois bem….

E a gente vai ensinando e aprendendo.

Vai mesmo.

Isaac estava todo empolgado com o tal amigo secreto da escola.

E ele ficaria mais feliz ainda se não tivesse tirado o menino que durante o ano passou de melhor amigo a “aquele sacana mirim que bate no meu filho quase todo o santo dia”.

Isso.

Cômico e trágico ao mesmo tempo.

E então que nos dias antes da revelação do tal amigo, explicamos pro Isaac que ele poderia falar algumas coisas do amigo secreto antes de dizer o nome dele:

- O meu amigo secreto é menino, tem cabelos pretos e adora lutas.

- Que mais??? – dizia o menininho de olhos curiosos.

- Ah! Você pode dizer que ele tem os olhos assim, ó. – e mostrei a ele minha imitação gracinha de olhos orientais.

Isso.

O amigo secreto do Isaac é o único descendente de japoneses da sala.

Tá. Nisso não há problemas. Somos todos iguais, somos todos irmãos.

Mas ser mãe é ensinar e aprender, como comecei esse texto…

- Mamãe, como é que eu posso falar do meu amigo secreto mesmo????

- Que é menino, tem cabelos pretos, gosta de luta….. – e então fui interrompida.

- É um safaaaaado…. que tem olho assim ó e vive me batendo assim ó!

Ploft!

Lógico que expliquei que esse não era o tipo de coisa legal de se falar.

Lógico que procurei outros adjetivos para o amigo secreto.

Lógico que quase morri do avesso.

Lógico que tive vontade de ser uma mosca pra saber como foi a tal revelação…

E até me senti um tanto vingada por todas as vezes que peguei Isaac chorando na escola por ter apanhado do colega violentinho.

Mas foi tudo bem.

Isaac teve vergonha de falar qualquer adjetivo.

Entregou presente pro amigo e veio todo saltitante pra casa por ter acertado na escolha do mimo.

E eu estou aqui.

Falando ufa até agora.

Dois dias depois.

Carol Garcia

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Isaac tem quatro anos.

Isso.

E tem experimentado de tudo que essa vida pode oferecer.

Conhecimento, sentimentos, vocabulário.

E daí a professora querida deste ano resolveu promover um amigo secreto com a turminha.

Pronto.

Fala pra um pequeno viciado em espiões e alienígenas que ele vai participar de um amigo secreto.

Era tudo o que sua imaginação precisava.

Pelo que ele me conta ( e ah se eu pudesse entrar em sua cabecinha), acredita mesmo que um amigo super secreto vai se materializar na frente da classe toda.

E nós vamos tentando explicar como funciona a tal brincadeira dos presentes.

Logo, temos além da imaginação uma outra questão.

A dos presentes.

Isaac se encontra entre as fases do reizinho fofinho e do tirano egoísta. Fato.

Então, longe dele comprar presente pra outra pessoa que não seja ele mesmo.

- E o nome que você tirar no papelzinho vai ser a pessoa que você vai dar um presente….

- Não!

- Mas é assim que funciona filho…

- Não. Deixa eu explicar que é assim: A pessoa que eu tirar o nome no papelzinho vai ME DAR um presente.

- A é? E a que tirar o seu nome no papelzinho????

- Ela dá um presente pra mim também, ué….

Tá. Ele entendeu….

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Pois é.

Estamos eu e Isaac dividindo a cama.

Maridex viajando, nos resta um ao outro.

Dramas a parte, vemos então as questões engraçadas que envolvem os dias de cama compartilhada.

E ontem foi a primeira noite.

Deitamos, oramos, trocamos umas mensagens e fotos com papai e lemos uma história.

Findada a narrativa, Isaac me cutuca e pede que eu alongue as suas pernas.

Dia difícil, né?

Dançamos tanto, rodopiamos tanto e pulamos tanto na sala, que ele até merece.

Massageei, alonguei, dei beijinho, perdi o sono.

Mas quando tentei um papinho, recebi em troca:

- Tá mamãe, agora eu tô muito cansado e preciso relaxar.

Virou as costas e me deixou alí. Olhando pro teto.

Fim.

Carol Garcia

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Cinco noites.

Cinco noites seguidas.

Cinco noites em que um menininho dá a volta na cama e vem me chamar.

Os motivos são os mais variados: sede, medo, dor de ouvido, saudade.

Ele vem, se encosta, mia na minha orelha e ganha espaço.

E sempre às 3 da manhã.

E sempre eu fico sem dormir até às 5, horário que o despertador grita não toca.

Cinco noites.

E eu nem me arrisco a fazer as contas das horas perdidas.

Não sou louca. Nem gosto de sofrer.

Mas cinco já me parece um número grande demais.

Retomemos então um outro tipo de desmame.

O do meu travesseiro.

Essa noite empresto o meu pra ele e vejo se resolve.

Mas peraí!

Papai tá indo viajar hoje?

Dias fora?

Esquece tudo.

Mamãe e filhote panda dormirão abraçadinhos.

E se os cães quiserem também serão bem vindos.

Passou o cansaço.

Aha Uhu! A cama agora é nossa.

E daqui uns dias eu retomo esse desmame.

Pra quê a pressa né?

Carol Garcia

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Visualize a cena:

A Mãe.

há tempos sem sair a noite.

se vira, pede ajuda pra avó, conversa com filhote, dá banho nele, se banha, troca a criança, se troca, se arruma, se enfia no salto, corretivo, base, sombra, blush e batom.

Se olha bem no espelho antes de se entregar aos olhares do filho e do marido que alí no quarto brincavam de alguma coisa.

Para na porta.

Marido cutuca o filho e este, no automático, já solta um mamãããããe todo miado.

Mas para.

E no pós pausa manda:

- Nossa!!!!! Nem parece que é a minha mamãe.

sem mais.

Carol Garcia

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Das histórias que lembro, sempre.

Quando quero rir. Só por rir.

Quando sinto o dia pesar e me agarro as fofurices infantis do Isaac.

Ou quando, sem motivo aparente, me pego no apego dos momentos delícia que só o ser mãe nos oferece.

começo este pequeno texto com uma máxima que aprendi lá não sei quando.

nunca, nunquinha, never, faça uma pergunta a uma criança se ao menos uma das possibilidades de respostas possam te desagradar/ofender/envergonhar/etc.

vizinha nos recebe em sua casa toda alegre com o menininho pedindo “doces ou tavessulas”.

uma querida.

chama as filhas, dá balinhas e nos lembra de que o dia de halloween também é o dia do seu aniversário.

aquela festa.

e ela então diz ao isaac sobre o dia das bruxas e sua data de nascimento.

e vem a pergunta fatídica.

“e vc acha que eu pareço uma bruxa?”

e vem a resposta, natural como um cochilo pós almoço.

“só falta o chapéu”

Se eu morri de vergonha?

Não morro mais.

Mas já morri sim, em várias vezes.

Mas tô aqui, ó, vivinha da silva pra contar as historias

Carol Garcia

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