Categoria: Mamãe Blogueira

Categoria destinada à troca de experiências maternas por meio de divertidos textos da jornalista Carol Garcia

eu-nao-sei

Isaac achou melhor responder a todas as nossas perguntas com “não lembro”.

Qualquer uma delas. ele não lembra e ponto.

Aí, eu que sou daquelas que não deixa nada quieto, comecei a prestar atenção na rotina.

Logo, cheguei a conclusão de que é muito mais fácil, mas muito mesmo, falar que não lembra do que colocar a cabecinha pra pensar.

E isso, senhores, me arrepia. não aceito não.

Logo, abelhuda que sou, ontem comecei operação “lembra sim, como não?” aqui em casa.

Vou de leve no começo. se eu vejo mesmo que aqui mora o cúmulo da preguiça mental, viro a loka.

Me dói ver cabecinha tão fresca. máquina tão nova já falhando.

Pode ser culpa minha ( a lá!), culpa do pouco estímulo, culpa da tecnologia que não deixa mais a gente nem pensar antes de tocar uma tela ou apertar um botão.

Sei lá. mas assim, desmemoriado aos seis anos de idade, já é demais.

Então. nessa nova operação que aqui se inicia, sou tirana? sou vilã?

Nada. só me entrego às charadas e à ironia.

Exemplo número 1:

–  Mãe, onde está meu livro?

–  Lá na prateleira, onde os livros são guardados, ué.

–  Mas não está.

–  Onde você acha que está?

Ele já fica levemente irritado e sai batendo o pé, mas creio que a semente já foi plantada, né?

Exemplo número 2:

Estava eu no carro cantando Beatles quando Isaac me pergunta o significado de uma palavra em inglês.

Digo o significado, explicando sim de uma maneira que ela fique linda e ele a acrescente no vocabulário.

No próximo refrão ele pergunta de novo e eu digo só o significado.

e=Wm menos de 3 minutos, ele pergunta de novo.

Na quarta…. na quarta vez, minha amiga, vi a oportunidade:

– O que vc acha que significa?

– Não lembro.

– Mesmo? faz uma força, essa palavra não parece tal coisa?

– Eu não lembro e pronto!

Aí, eu peço que ele tente buscar na memória de três minutos atrás.

Lógico que, de prima assim, não funcionou.

Lógico que ele se irritou e bufou e soprou e soprou.

Mas a casa aqui cai não viu?

E vamos tentando…ufa…

Carol Garcia

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Isaac sai da cama, todo amassado e fica me observando na porta da cozinha.

Me chama no canto e pede para contar algo em meus ouvidos.

Ele faz isso quando o assunto é delicado e, de certa maneira, acredita que os deuses não podem ouvir quando cochicha comigo.

Pois bem. Ele estava triste. Bem chateado.

E já com os olhos cheios de lágrima disse que tinha tido dois pesadelos.

Perguntei se ele queria contar.

Bem baixinho, ele disse que o primeiro tinha sido com o vovô Bem.

Que o vovô tinha morrido.

Sentiu, chorou.

Lógico que eu me entreguei aquilo tudo. Quem gosta de imaginar o próprio pai morto?!?!

O segundo pesadelo ele não teve coragem de falar.

Ganhou um abraço bem forte e um papo breve sobre os sonhos e como os pesadelos funcionam.

Mas aí, a graça da vida.

Ele olha bem nos meus olhos e diz que sabe bem qual a solução para os pesadelos.

Fiz cara de interessada.

Quero acabar com os meus tbm.

Ele achou o máximo, se encheu de confiança e da cara de pau que lhe é peculiar, fez aquela cara que só consigo descrever como o gato de botas do shrek, e mandou:

– a solução é eu dormir na sua cama todas as noites. Lá eu nunca tenho pesadelos.

Simples assim.

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entre a mãe e a blogueira

*queridas, esse texto aqui foi escrito por uma mãe que estava trabalhando muito e ficou muuuito tempo sem escrever. Acho ótimo dividi-lo, assim vocês se atualizam de como meu menino cresceu…

Faz tempo. ixi se faz…

Dá uma vontade de escrever, vomitar tudo o que é pensamento.

Experiência nova, renovada, repassada.

Mas eu acabo deixando. não de lado, pois amo isso aqui com todas as minhas forças.

Mas deixo pelo simples motivo de ter outra coisa pra fazer.

E então o que posso dizer hoje, que me sobrou um tempinho?

Isaac cresce.

Cresceu já um bom tanto que consegue bater a cabeça nas minhas costas sem nem se esforçar.

Fala com propriedade sobre inúmeros assuntos. de videogame a sentimentos mais profundos.

Chora e ri com a mesma intensidade de sempre. e sei que será assim.

Tem seus altos e baixos. tem dia que quer tudo, em outros não quer nada.

Voltou a roer as unhas, incluindo as do pé.

Na escola vai bem obrigado, mas ainda não conta tudo o que vive.

Vive na vida só dele, onde pai e mãe entram quando ele bem entende.

Adora os livros mais ainda.

Ama os filmes. de todos os gêneros.

Ainda arrepia com meninas e cor de rosa mas vem aprendendo a lidar com isso.

Dá os adjetivos mais incríveis e solta pum e dá risada.

Sem vergonha, esse isaac.

Que desperta em mim um amor cada vez maior.

Que acorda de manhã e resmunga esperando qual a gracinha da vez.

Reclama de tudo na vida, mas assim, simples, reconhece que é reclamão e torce o nariz se falo que ele precisa mudar.

Isaac continua amando viajar.

Passa um final de semana na capital como se estivesse no Eden.

Sacaneia. Principalmente a mãe.

Brinca sozinho, diz que gosta.

Ainda é desconfiado com tudo. com todos.

Iron ainda é seu preferido e foge o quanto pode, batendo nas coisas, nosso velhinho.

Mas voltando ao Isaac.

Que já fala bem com todo mundo, mesmo que de maneira travada.

Que me faz passar vergonha. muita. e eu continuo não ligando.

Que me abraça forte antes de dormir.

Passa os dedinhos roídos no meu rosto quando me sente triste e diz que me ama.

Mas me chama de louca. sim, de LOUCA.

Ao me ver sendo louca, falando sozinha, rindo sozinha, chorando e rindo ao mesmo tempo, ou conversando com o controle remoto da tv ou o teclado do micro.

E ele ri. é raro. mas quando ri… aaaa… quando ri.

Carol Garcia

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cabelo dourado

Não é a toa. Isaac ouve sobre seus cabelos desde que nasceu.

Primeiro porque eram ruivos, enormes e espetados.

Depois viraram um loiro iluminado, fios finos, que voavam na mais leve brisa.

Até que engrossaram como os do papai.

Mas mesmo grossa, clara cabeleira ali naquela cabecinha pensante descansava.

Só que a natureza é dessas, né?

Ama uma transformação.

Acontece que Isaac adora ter cabelos dourados, como ele mesmo fala desde sempre.

Ouve sempre dos outros sobre o tom do seu cabelo.

Se orgulha. Olha no espelho. Até que…

Ele resolveu que não quer cortar o cabelo nunca mais.

E qual o motivo????

– Da última vez o barbeiro deixou meu cabelo mais escuro.

Como assim?

– Ele cortou e ficou menos dourado, ué!

Escuta a mãe do menino cabeludo.

Sim sim. Eu tento explicar. Falo que é assim mesmo, que o cabelo vai mudar de cor muito ainda, que ele não precisa se preocupar pois continua lindo e iluminado.

Fácil? Nada.

Prefere continuar com as costeletas enfiadas nas orelhas do que perder o brilho.

Eu entendo. Espero. Oportunidade, lição, e a irritação que o suor ainda vai causar no meu filhote.

Enquanto isso fui dizer a ele que meus cabelos também eram bem claros, mas eles escureceram com o tempo.

O que ouvi?

– Mas os seus cabelos são loucos, cada dia eles estão de um jeito.

Obs: Não, ainda não há tinta capilar nesta que vos tecla, maaaaas a tesoura, essa sim é um vício.

 

Carol Garcia

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sobre buracos

Isaac, dentre tantas novidades e períodos mais generosos de calmaria, continua com sua cabecinha fervilhando de ideias.

Os olhos, cada dia mais atentos, agora formam quadrilha com ouvidos, boca e conclusões.

Uma coisa.

E então, que outro dia estava eu limpando as orelhas da cria e rola o seguinte papo:

– Mãe, como chama isso aqui? – questiona o menininho, esfregando as orelhas.

– Orelhas, filho.

– Não, mãe, o buraco nelas.

– Os buracos são os ouvidos. – Vamos simplificar, né gente?

– hummmm…. E como chama isso aqui? – questiona de novo, só que agora batendo na traseira.

– Popô?

Olhar reprovador.

– Bumbum – tento de novo mas não cola.

– Bunda???

– Nãããão mããããe. Aqui no meio, ó.

– Aaaaa…. o fiofó???? – respondeu eu, toda ingênua.

– Não é esse nome não! O outro.

Opa! Aula de anatomia no Jardim 1, a gente vê por aqui?!?!?!

– Bom, filho, o nome é ânus.

– Anos? Quantos anos?

– Não, amor, ânus. É esse o nome que a ciência deu pro fiofó dos seres humanos.

– Tá, mãe, mas eu quero saber aquele outro nome, o que é feio.

– Aaaaa…. tem gente que chama de koo (maneira fofa de falar que aprendi com uma amiga linda).

– Koo?

– Isso.

– Aaaaa…. – para e pensa e continua – então se o furo do bumbum é o koo…

Lá vem bomba:

– O ouvido é o koo da orelha. Né, mãe?????

– É filho, faz sentido.

 

assinatura-carol-v3 (3)

 

 

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