Categoria: Mamãe Blogueira

Categoria destinada à troca de experiências maternas por meio de divertidos textos da jornalista Carol Garcia

Isaac adora livros.

E filmes também.

Sem preconceito, ele assiste de tudo. De heróis a princesas.

Tira proveito de tudo, aprende até com a mais cor de rosa das bonecas.

E eu, que também adoro as novidades do cinema de animação, não me canso de assistir com ele.

Lógico que papeamos muito depois:

- A princesa Merida é a melhor.

- Pq mamãe?

- Pq ela é decidida, corajosa, cavalga e não penteia o cabelo.

- É. não penteia.

- E tem mais. Não é extremamente loira como todas as outras.

- Ela é o quê?

- É ruiva.

- Ruuuuuuuiva?

- Sim. Quem tem cabelo vermelho é ruivo.

- huuuuummmmm…

- Vc nasceu ruivo, sabia?

- Meu cabelo era vermelho????

- Isso. Vermelho.

- Você passou tinta de canetinha em mim?

Carol Garcia

 

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Pois bem….

E a gente vai ensinando e aprendendo.

Vai mesmo.

Isaac estava todo empolgado com o tal amigo secreto da escola.

E ele ficaria mais feliz ainda se não tivesse tirado o menino que durante o ano passou de melhor amigo a “aquele sacana mirim que bate no meu filho quase todo o santo dia”.

Isso.

Cômico e trágico ao mesmo tempo.

E então que nos dias antes da revelação do tal amigo, explicamos pro Isaac que ele poderia falar algumas coisas do amigo secreto antes de dizer o nome dele:

- O meu amigo secreto é menino, tem cabelos pretos e adora lutas.

- Que mais??? – dizia o menininho de olhos curiosos.

- Ah! Você pode dizer que ele tem os olhos assim, ó. – e mostrei a ele minha imitação gracinha de olhos orientais.

Isso.

O amigo secreto do Isaac é o único descendente de japoneses da sala.

Tá. Nisso não há problemas. Somos todos iguais, somos todos irmãos.

Mas ser mãe é ensinar e aprender, como comecei esse texto…

- Mamãe, como é que eu posso falar do meu amigo secreto mesmo????

- Que é menino, tem cabelos pretos, gosta de luta….. – e então fui interrompida.

- É um safaaaaado…. que tem olho assim ó e vive me batendo assim ó!

Ploft!

Lógico que expliquei que esse não era o tipo de coisa legal de se falar.

Lógico que procurei outros adjetivos para o amigo secreto.

Lógico que quase morri do avesso.

Lógico que tive vontade de ser uma mosca pra saber como foi a tal revelação…

E até me senti um tanto vingada por todas as vezes que peguei Isaac chorando na escola por ter apanhado do colega violentinho.

Mas foi tudo bem.

Isaac teve vergonha de falar qualquer adjetivo.

Entregou presente pro amigo e veio todo saltitante pra casa por ter acertado na escolha do mimo.

E eu estou aqui.

Falando ufa até agora.

Dois dias depois.

Carol Garcia

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Isaac tem quatro anos.

Isso.

E tem experimentado de tudo que essa vida pode oferecer.

Conhecimento, sentimentos, vocabulário.

E daí a professora querida deste ano resolveu promover um amigo secreto com a turminha.

Pronto.

Fala pra um pequeno viciado em espiões e alienígenas que ele vai participar de um amigo secreto.

Era tudo o que sua imaginação precisava.

Pelo que ele me conta ( e ah se eu pudesse entrar em sua cabecinha), acredita mesmo que um amigo super secreto vai se materializar na frente da classe toda.

E nós vamos tentando explicar como funciona a tal brincadeira dos presentes.

Logo, temos além da imaginação uma outra questão.

A dos presentes.

Isaac se encontra entre as fases do reizinho fofinho e do tirano egoísta. Fato.

Então, longe dele comprar presente pra outra pessoa que não seja ele mesmo.

- E o nome que você tirar no papelzinho vai ser a pessoa que você vai dar um presente….

- Não!

- Mas é assim que funciona filho…

- Não. Deixa eu explicar que é assim: A pessoa que eu tirar o nome no papelzinho vai ME DAR um presente.

- A é? E a que tirar o seu nome no papelzinho????

- Ela dá um presente pra mim também, ué….

Tá. Ele entendeu….

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Pois é.

Estamos eu e Isaac dividindo a cama.

Maridex viajando, nos resta um ao outro.

Dramas a parte, vemos então as questões engraçadas que envolvem os dias de cama compartilhada.

E ontem foi a primeira noite.

Deitamos, oramos, trocamos umas mensagens e fotos com papai e lemos uma história.

Findada a narrativa, Isaac me cutuca e pede que eu alongue as suas pernas.

Dia difícil, né?

Dançamos tanto, rodopiamos tanto e pulamos tanto na sala, que ele até merece.

Massageei, alonguei, dei beijinho, perdi o sono.

Mas quando tentei um papinho, recebi em troca:

- Tá mamãe, agora eu tô muito cansado e preciso relaxar.

Virou as costas e me deixou alí. Olhando pro teto.

Fim.

Carol Garcia

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Cinco noites.

Cinco noites seguidas.

Cinco noites em que um menininho dá a volta na cama e vem me chamar.

Os motivos são os mais variados: sede, medo, dor de ouvido, saudade.

Ele vem, se encosta, mia na minha orelha e ganha espaço.

E sempre às 3 da manhã.

E sempre eu fico sem dormir até às 5, horário que o despertador grita não toca.

Cinco noites.

E eu nem me arrisco a fazer as contas das horas perdidas.

Não sou louca. Nem gosto de sofrer.

Mas cinco já me parece um número grande demais.

Retomemos então um outro tipo de desmame.

O do meu travesseiro.

Essa noite empresto o meu pra ele e vejo se resolve.

Mas peraí!

Papai tá indo viajar hoje?

Dias fora?

Esquece tudo.

Mamãe e filhote panda dormirão abraçadinhos.

E se os cães quiserem também serão bem vindos.

Passou o cansaço.

Aha Uhu! A cama agora é nossa.

E daqui uns dias eu retomo esse desmame.

Pra quê a pressa né?

Carol Garcia

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Visualize a cena:

A Mãe.

há tempos sem sair a noite.

se vira, pede ajuda pra avó, conversa com filhote, dá banho nele, se banha, troca a criança, se troca, se arruma, se enfia no salto, corretivo, base, sombra, blush e batom.

Se olha bem no espelho antes de se entregar aos olhares do filho e do marido que alí no quarto brincavam de alguma coisa.

Para na porta.

Marido cutuca o filho e este, no automático, já solta um mamãããããe todo miado.

Mas para.

E no pós pausa manda:

- Nossa!!!!! Nem parece que é a minha mamãe.

sem mais.

Carol Garcia

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Das histórias que lembro, sempre.

Quando quero rir. Só por rir.

Quando sinto o dia pesar e me agarro as fofurices infantis do Isaac.

Ou quando, sem motivo aparente, me pego no apego dos momentos delícia que só o ser mãe nos oferece.

começo este pequeno texto com uma máxima que aprendi lá não sei quando.

nunca, nunquinha, never, faça uma pergunta a uma criança se ao menos uma das possibilidades de respostas possam te desagradar/ofender/envergonhar/etc.

vizinha nos recebe em sua casa toda alegre com o menininho pedindo “doces ou tavessulas”.

uma querida.

chama as filhas, dá balinhas e nos lembra de que o dia de halloween também é o dia do seu aniversário.

aquela festa.

e ela então diz ao isaac sobre o dia das bruxas e sua data de nascimento.

e vem a pergunta fatídica.

“e vc acha que eu pareço uma bruxa?”

e vem a resposta, natural como um cochilo pós almoço.

“só falta o chapéu”

Se eu morri de vergonha?

Não morro mais.

Mas já morri sim, em várias vezes.

Mas tô aqui, ó, vivinha da silva pra contar as historias

Carol Garcia

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Pois bem,

Isaac é roedor de unhas assumido.

E já fica bravo quando a gente chama a atenção ou fala dos malefícios de tal vício.

Aí que ontem, ao vê-lo roendo, cutucando, puxando, eu tive mais uma vez conversinha básica sobre bactérias, doencinhas e afins.

Ele me olhou bem nos olhos, suspirou e mandou:

- Tá.

E pegou nas minhas mãos feias, secas, com resto do esmalte vermelho de moral duvidosa e cheias de cutículas de uma semana sem manicure e ânimo.

- Eu paro se você também parar.

Eu, toda horrorizada com poder de oratória do menininho que alí estava, todo cheio de confiança, coloco indignação pra fora:

- Como assim, meu filho?! Paro com o quê?

Ele segurou meus dedos mais firme e continuou:

- Olha isso! Você também está acabando com a sua mão!

- Eu?

- Olha aqui na unha!

- Mas minhas unhas estão bem compridas, Isaac! Não estão roídas!

- E esse vermelhinho aqui? Isso é bactéria!

Esfreguei uma unha na outra e tirei um pouco do esmalte pra ele ver o que era.

Ele sorriu bem canalhinha, olhou pra mim e acabou:

- E o que você fez agora? Não cutucou o canto?

Eu fiquei alí, com cara de rato que cai na armadilha.

- Então é assim. Se você parar eu paro.

Carol Garcia

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- Mamãe! Mamãe!

 

- Oi filho?!

 

- Como os pinguins botam ovos?

 

- Bom, Isaac, a mamãe pinguim….

 

- Não! É o pinguiNHO que bota.

 

- Tá. Viu no filme, né? Deixa eu explicar… A pinguiNHA bota e o PInguiNHO cuida do ovo até o bebê nascer.

 

- Não é. Eu vi na vida dos imperadores que é o pinguiNHO que faz tudo.

 

(amém, um dia será)

 

- Ok, filho, mas quem bota os ovos ou guarda os bebês na barriga são as fêmeas, mulheres…

 

- Hummmm….

 

(aí, aconteceu. bum!!!!)

 

- E como é que o ovo vai parar na pinguiNHA?

 

- PinguiNHO e pinguiNHA namoram e acontece o ovo.

 

(tá, tão complicado quanto explicar que pinguim pode ser fêmea ou macho)

 

- Não! Nasce o ovo. Depois eles namoram.

 

(um dia saberás que não é tão fácil assim, meu filho…)

 

- Será?

 

- É sim, mamãe.

 

(aí, a coisa já estava fluindo eu resolvi radicalizar)

 

- Mas me diga então, Isaac, como é que o ovo vai parar na barriga da pinguiNHA????

 

- hummmm…

 

- É mágica?

 

E aí ele riu.

Gargalhou jogando a cabeça pra trás e acabou a conversa assim:

 

- Ai ai mamãe…. quanta bobeira….

 

Carol Garcia

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- Mãe! Ô mãe! Manhêêêê!!!!

 

E eu me seguro toda na raiva que tenho de gente que fica gritando e não desloca dois passos pra conversar.

Fico então quieta, esperando que ele já me conheça o suficiente.

 

- Mãe! Mãe! Mããããããe!

 

Continuo o que estou fazendo. Começo até a cantar uma música, como se um mantra fosse.

 

- Manhêêêêê!

 

Ignoro. Por fora, mas por dentro tô em ebulição.

Aí escuto, lá na cozinha.

 

- Roberta, você sabe onde tá a minha mãe?

 

Fervo.

Como é que ele não escutou quando eu disse que ia até o quarto e já voltava?!?!

Silêncio.

Mentira.

 

- Mãe! Mãe! Mãe! Mãe!

 

Vou até o corredor, onde avisto criaturinha toda prosa.

Ele me olha como quem diz “tava o tempo todo aí, velhota?!?”

Eu me seguro. Olho bem nos olhos dele e tenho a confirmação de que sim, ele me conhece.

Encolhe os ombros, respira fundo (sim, respira) e vem na minha direção.

Quando chega bem perto, abaixo em sua altura e pergunto, com voz de anjo o que ele quer.

Ele pensa por dois segundos, se enche de confiança e manda:

 

- Quem é minha princesa??????

 

E fecha com sorrisinho que pergunta “colou ou não?”

 

Carol Garcia

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