Categoria: Mamãe Blogueira

Categoria destinada à troca de experiências maternas por meio de divertidos textos da jornalista Carol Garcia

 

sobre buracos

Isaac, dentre tantas novidades e períodos mais generosos de calmaria, continua com sua cabecinha fervilhando de ideias.

Os olhos, cada dia mais atentos, agora formam quadrilha com ouvidos, boca e conclusões.

Uma coisa.

E então, que outro dia estava eu limpando as orelhas da cria e rola o seguinte papo:

– Mãe, como chama isso aqui? – questiona o menininho, esfregando as orelhas.

– Orelhas, filho.

– Não, mãe, o buraco nelas.

– Os buracos são os ouvidos. – Vamos simplificar, né gente?

– hummmm…. E como chama isso aqui? – questiona de novo, só que agora batendo na traseira.

– Popô?

Olhar reprovador.

– Bumbum – tento de novo mas não cola.

– Bunda???

– Nãããão mããããe. Aqui no meio, ó.

– Aaaaa…. o fiofó???? – respondeu eu, toda ingênua.

– Não é esse nome não! O outro.

Opa! Aula de anatomia no Jardim 1, a gente vê por aqui?!?!?!

– Bom, filho, o nome é ânus.

– Anos? Quantos anos?

– Não, amor, ânus. É esse o nome que a ciência deu pro fiofó dos seres humanos.

– Tá, mãe, mas eu quero saber aquele outro nome, o que é feio.

– Aaaaa…. tem gente que chama de koo (maneira fofa de falar que aprendi com uma amiga linda).

– Koo?

– Isso.

– Aaaaa…. – para e pensa e continua – então se o furo do bumbum é o koo…

Lá vem bomba:

– O ouvido é o koo da orelha. Né, mãe?????

– É filho, faz sentido.

 

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quando a religião

Nesse mundo existem várias combinações explosivas.

Umas, como sabemos e esperamos, são catastróficas.

Outras, são explosivamente boas.

Ponto.

Religião sempre foi um assunto muito aberto aqui em casa.

Mesmo porque, aqui não temos preconceito, somos super abertos, curiosos e sedentos por informações (de todo tipo, confesso, mas sobre religião é bom de ouvir).

Ponto.

E vírgula.

Além de sermos católicos não praticantes.

(Eu pratico, mas do meu jeito. Alguns entendem, outros não)

Temos um respeito enorme pelo espiritismo.

Vírgula.

Então, Isaac cresce nesse cenário.

Ouve a mãe falar “Meu Deus!!!” várias vezes ao dia e fazemos nossa oração de agradecimento antes de dormir.

O pequeno já me pediu para conversar com os anjos e já filosofou sobre onde está a bisa que faleceu.

Ponto.

Mas o melhor disso é que, além de ter fé, ele aprendeu a conviver com as várias perguntas que uma religião carrega, seja ela qual for.

Vírgula.

Questiona sobre o tamanho do Papai do Céu.

Se ele é sozinho.

Como ele é e existe.

Se ele é amigo do Papai Noel.

Como ele faz chover.

E se chove, como ele se molha.

Se mora em cima das nuvens e como faz pra não cair de lá.

Ponto.

Até que um dia.

Três pontinhos.

Se deparou com um livro.

E o livro contava a história de uma bruxa.

E a bruxa, danada, tinha um cachorro que se chamava Demônio.

Vírgula.

E demônio é ser tão complexo de ser explicado como Deus.

Ainda mais para uma criança de 5 anos, com a imaginação à milhão.

Ponto.

E eu pensei.

Pelos segundos que tive.

E sei lá por qual motivo, me veio um jogo de video game em mente.

– Então Isaac, o demônio…

– Quem é mãe, quem é?

– Bom, no seu jogo não tem uma hora que tem um cara mauzão pra matar?

– Tem. O chefão. É muito difícil ganhar dele.

– Pois bem, o demônio, é tipo um chefão dos vilões.

– Hummmmm…

– Entendeu?

– Sim… O cara deve ser durão, né mãe?

– Como todos nós Isaac, tem vezes que sim, tem vezes que não.

– E é difícil de matar esse vilão?

– A gente nem precisa matar, filho, eu acho que a gente pode só deixar ele de lado. Acreditar que somos mais fortes que ele.

– Entendi.

– Mais alguma pergunta?

– Posso comprar esse livro?

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do financeiro 2

Isaac chega da casa da avó, todo feliz porque ganhou uma nota de cinco reais.

Ganhou porque a avó recebeu um punhado das notas novas no caixa eletrônico.

Além do dinheiro na mão, e louco pra encher o cofrinho, Isaac ficou todo curioso com a questão de notas velhas e falsas.

Chegou em casa e pediu que eu mostrasse uma nota das velhas, só pra comparar.

Mostrei uma e outra.

E respondi inúmeras perguntas sobre cor, tamanho, desenho, falsificações e valores.

Quando terminou todas as suas perguntas, Isaac olhou bem pra mim e na cara de pau que lhe é peculiar pediu se poderia ficar com as duas notas.

A velha e a nova.

Diante de toda aquela questão e interesses.

Cedi e deixei.

Ele logo fez uma cara de espertinho, deu dois passos, pelo longo espaço em que conseguiu segurar a agitação e soltou:

– yuhu!!!!! Agora tenho uma arara!!!!!

==

 

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isaac faz 5

Filho querido,

a mamãe pensou em tanta coisa pra te dizer no seu dia.

pensou em fazer tantas coisas pra alegrar o seu aniversário.

mas a mamãe viu – e ainda bem que cedo – que não deveria pensar em nada.

que deveria só ficar perto. sentir seu cheiro. ouvir sua voz.

o calor que só você sabe me dar.

o cheiro de coisa boa, dever cumprido, amor de verdade, amizade. cheiro de filho que só a mãe sente.

e a voz doce. aliás, vezes doce como chocolate vezes azeda como limão. mas sempre a voz que me conforta, alegra, enche meu coração de paz.

e então, no meio de tanta correria, gente, hora. a mamãe resolveu que só ia te olhar crescer.

alí, aproveitando esse dia, que apesar de ser o dia em que Galileu Galilei apresentava o telescópio ao mundo, em que o Vaticano expunha o Santo Sudário pela primeira vez, e também é o dia em que nasciam Gene Simmons, Elvis Costello e Tim Burton, é um dia só seu.

(sim, nós já pesquisamos juntos na internet e já trocamos ideias sobre música e cinema. e também já conseguimos compartilhar alguns gostos e preferências)

o dia, em que lááá em 2008, às 21h15, você resolveu que estava na hora. e nasceu.

nasceu pra me fazer amar mais do que eu podia, ouvir mais do que eu imaginava conseguir, me fazer ser mais forte que o mundo e mais paciente que uma santa.

nasceu. assim. tão pequeno e tão cheio de si.

e hoje, dentro desse 1,09m e desses 20kg, aquele bebezico nem é mais tão frágil nem indefeso.

(sim. hoje você reina seus próprios mundos, defende castelos de dragões, luta com seus vilões – os imaginários e os de carne e osso. ah! só pra registrar, semana passada você começou a se defender na escola e a mamãe quase explodiu de orgulho. ps: não sou louca, tá? é que essas coisas são importantes, um dia você me entende)

então, isaac, já são 5 anos.

5.

metade de uma década.

comemorados com dinossauros, amigos e família.

comemorados todos os dias por esta mamãe aqui.

que chora com quase a mesma frequência com que baba.

que ama sem saber nem de onde vem tanto amor.

que ainda espia você dormir de madrugada (ok, namoradas de 2023, prometo parar com isso).

que ama ler e inventar histórias com você.

ver seu desenvolvimento. na natação e também as palavras novas do inglês e as letrinhas sendo rabiscadas na alfabetização.

parabéns, meu filho, minha vida, meu amigo.

uma vida inteira de bençãos a você.

* já?????

 

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Aprenda a atrair dinheiro

 

Isaac resolveu que queria um brinquedo.

Uma fortuna.

E daqueles que a gente sabe que vão durar dois dias e logo serão esquecidos.

Então resolvemos usar o tal brinquedo para mostrar ao Isaac que se deve juntar dinheiro para

comprar algo.

Forma lúdica, sem complicações.

Logo, nomeamos as notas com os animais que elas carregam:

– 5,00 – garça

– 10,00 – arara

– 20,00 – mico

– 50, 00 – onça

– 100,00 – garoupa

até aí tudo lindo.

Mas acontece que o bendito brinquedo custava 4 garoupas (afe!) e nós explicamos que se ele

economizasse, guardando as moedas e notinhas que conquistasse, um dia compraria o que

quisesse.

(enfim, a esperança era que, até que uma tonelada de moedinhas se transformassem em

quatrocentas pilas, a vontade da vez já fosse outra, mais útil e interessante)

Então se pôs Isaac a calcular animais.

– Mãe! Quantas araras dão uma garoupa? E garças? Onças?

E eu passei dias fazendo contas. Em números e animais.

Mas Isaac ia além e perguntava para quem bem entendesse, quantas garoupas a pessoa tinha

nos bolsos.

Uma coisa.

E ele manteve firme o propósito.

Até que ganhou o tal brinquedo de um avô babão.

Ficou feliz.

– Agora posso gastar minhas moedas em outra coisa.

Mas aí é que colhemos os frutos.

Outro dia perguntei se ele pensava em gastar o dinheiro.

– Não mãe, ainda não tive vontade de abrir meus cofrinhos. Estou só economizando.

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