Categoria: Mamãe Blogueira

Categoria destinada à troca de experiências maternas por meio de divertidos textos da jornalista Carol Garcia

pé chato

Isaac, coitadinho, nasceu com o pé chato.

De tudo que podia herdar, herdou a pisada torta.

E desde o ano passado ele usa a tal palmilha ortopédica.

No começo fiquei ultra feliz por terem abolido da face terrestre aquelas botinas duras, com sola de madeira, que euzinha tive que usar na infância.

Era horrível, era medonha, era pesada, era uma arma ultra secreta contra as canelinhas inimigas do jardim da infância.

Enfim, voltemos a palmilha, que o que interessa neste blog é falar do filho, né? E do pé chato dele.

Bom, mas acontece que a tecnologia aqui, não é lá tão amiga.

A palmilha não é de madeira, não é medonha, não é arma que nada, maaaaaaassssss…

Não entra em p~#*@ de sapato algum!!!!!

Explico.

Pela curva do pé chato do Isaac, a palmilha tem que ter um lado mais alto.

A primeira que fizemos, depois de uma longa caminhada enfiando e desenfiando a bendita em inúmeros modelos e marcas diferentes, vendo filho estressar e gritar ao ver uma loja de calçados, conseguimos sucesso com uma botinha de uma única marca, a qual, na cidade inteira, havia o único par que – lógico e loucamente – comprei.

Acontece que a botinha é até bonita, mas é quente. Quente assim, pra usar no Alasca.

E chegado o calor, aposentamos botinha, palmilha e o que mais lembrasse aquilo tudo.

Começo de ano, retomemos rotina, lá vamos nós no ortopedista.

Nova palmilha receitada, dei eu ao médico minha demonstração master de mãe neurótica, sofredora e militante contra as botinhas quentes e as palmilhas que não se enfiam em lugar algum.

(enfiariam sim, em algum orifício do doutor, caso ele falasse que eu não tinha escolha)

Ortopedista deu risadinha e então, como se fosse a coisa mais natural desse mundo, receitou uma de “baixo perfil”.

Ontem, então, toda meninona, fui buscar a tal palmilha que pensei eu caberia até em sandália havaiana.

Mentira!

Passei o resto da tarde com Isaac debaixo de um braço e o par de palmilhas do outro, procurando um modelo de tênis que comportasse a bendita palmilha mais o pé do meu filho.

Me revolto, dá licença: nem a indústria calçadista nem a medicina ortopédica estão preparadas para um problema que faz parte dos anais da medicina desde os anos 70.

Não, cara colega, não existe tênis, sandália, sapatênis, bota, cano alto, cano baixo, com cadarço ou sem que resolvam tal questão.

Acabei, eu mesma me atendendo numa dessas lojas grandes de material esportivo e achei um modelinho assim, não gostei muito mas não tem tu vai tu mesmo…. tá grande mas tá valendo… paguei uma nota e vamos que vamos readaptar o filho na função ortopédica toda.

#prontofalei e #aiquesaudadedabotinha

 

Carol Garcia

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sensiilidade

Isaac vem desenvolvendo suas características de personalidade todo dia. Toda hora.

Mas já é certo que ele é pessoa sensível.

E é mais sensível ainda porque observa cada movimento que esse mundo dá.

Bom,

Além disso tudo ele é apaixonado pela sétima arte.

Filmes novos, antigos, animação ou não, curta, longa. Ele se abre a tudo.

Admira, assiste, analisa e pergunta por dias e meses, dependendo do impacto que a produção causa sobre sua pessoinha em formação.

Esse ano mesmo fomos assistir “As aventuras de Pi”.

Certa de que era um drama, arrisquei e fui feliz.

Isaac adorou, mas até hoje usa o filme como referência para um momento triste.

E não precisa ser assiiiim triste. Mas ele liga.

Usa pra explicar a intensidade da tristeza que ele ainda tenta entender.

Ontem a noite, pediu que eu lesse “Alice” antes de dormir.

Ele ouve atento as primeiras linhas, páginas.

Mas depois que a menina cai no buraco e se vê alí, entre crescer e decrescer, afogada na insegurança e curiosidade, Isaac suspira.

– Sabe mamãe, eu fico um pouco triste com esse livro aí.

– É filho??? Mas tem alguma parte que te faça sentir essa tristeza?

– Não. Eu fico triste assim, igual quando o Richard Parker foi para a floresta e deixou o Pi lá, sozinho.

Fechei o livro, dei um abraço e só disse que é normal sentir tristezas em algumas histórias ou filmes.

Que tem gente que gosta de escrever história triste, mas que são só histórias.

Disse que é normal a gente sentir vontade de chorar e é normal chorar se der vontade.

Ele chorou. Quietinho.

Apertou o rosto contra a baleia de pelúcia (Jubartina, registro aqui pra não te esquecer nunca, tá?).

– Mas eu vou ter sonhos ruins com esse livro aí.

– Bom, Isaac, isso a mamãe não tem como arrumar. Mas você sabe que se esse sonho ruim vier é só chamar, né?

– Sei. E você vem? Mesmo no sonho?

– Se você quiser eu vou sim.

E dormiu, meu pequeno, descobrindo que o país da Alice, o dele, o meu, não é essa Maravilha toda…

Carol Garcia

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Sabe aquela fase?

Qual delas? Pergunta a já calejada mãe de um menininho observador de 4 anos.

 

Pois então vou contar um causo:

 

Saí toda atarantada para entregar uma encomenda constituída por 35 frasquinhos de vidro.

Repousei a caixa repleta de frasquinhos, prontos, lindamente embalados, no banco da frente do carro.

Eis que surge a coisa mais linda desse mundo e se enfia no carro pisoteando no banco.

Isso, no banco onde repousava a caixa, que guardava os frágeis frasquinhos.

Peço uma, duas, dez vezes e nada.

O menino loiro só me olhava de rabo de olho e alí persistia.

Encarno a educadora errante e, no medo da merda feita, puxo a cria pela camiseta.

De quebra ele ganha um beliscão no meio das costas.

Pele e camiseta vieram as duas juntas no meio do pacote do desespero materno.

Ele emburra, acha um absurdo.

Eu, toda cheia de culpa, prefiro não mexer muito pra não feder, enfio menininho emburrado no carro e saio.

No meio da caminho dessa graça de vida havia uma outra figura.

Velhinho, cabeça branca, bengala em punho, tentando atravessar rua movimentada.

Fiz o que meu coração e educação mandaram (alô mamãe!) e parei o trânsito.

Pus carro no meio da via, esperei senhorzinho (que nem agradeceu, buá) atravessar e segui.

Mas eu não perco a mania:

 

– Viu, filho?!?! Nós acabamos de fazer uma gentileza.

 

Ele bufa, olha pra mim como quem olha um pão embolorado, olha o senhorzinho e resmunga alguma coisa.

Não ouvi e, lógico, pedi que repetisse.

E tomei:

 

– Gentileza seria se você não me beliscasse. Nunca mais!

 

Carol Garcia

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perua

Então que além de perceber todo o processo que é a maternidade, agora convivo também com as vontades, ideias e expectativas que Isaac tem de mim.

Entendo, acho lindo e engraçado até, mas me faz pensar.

Explico.

Em toda oportunidade que tem Isaac me arruma.

Como assim?

No último Dia das Mães ganhei um par de sapatos que, em cada pé, pra ser mais específica, conseguiram colocar dourado, estampa de oncinha e um broche de caveiras com pedras.

E foi ele quem escolheu.

E eu ganhei, usei e uso até hoje. Uso do meu jeito, mais despojado, mas uso.

Ontem mesmo ele madrugou e veio todo amassado, arrastando paninho e travesseiro, me encontrar louca de atrasada em frente aos armários.

-Vou te ajudar a escolher uma roupa. Disse o menininho todo decidido.

Entre “danou-se” e “ai que delícia” um milhão de coisas passaram pela minha cabeça.

Deixei que o fizesse.

Pra roupa ele até que escolheu uma básica (o que sobra no meu guarda-roupas), mas ele endoideceu quando a gaveta de acessórios foi aberta.

Dois anéis.

Dois colares.

Brinco.

Fuça fuça fuça.

A hora que achei que toda a função tinha terminado:

– Mãe! Você esqueceu das pulseiras!!!!

E não parou por aí.

Ele quis escolher o sapato.

Estava com um de saltão na mão quando eu tive que interferir.

Chovia lá fora e eu só consigo achar lugar pra estacionar perto da escolinha uma duas ou três quadras de distância. Depois volto pro carro com Isaac, mochila, lancheira, pasta de tarefa, tudo sendo equilibrado.

Ele olhou bem, buscou a sapatilha mais estrambólica, bem rosa, com partes brilhantes e me deu sorrindo.

Lógico que coloquei no pé.

Lógico que troquei assim que entrei no carro.

E lógico que destroquei quando parei na porta da escola pra buscá-lo.

E até que ela combinou bem com o guarda-chuva verde em forma de sapo que me acompanha nesses dias.

Como não?!?!

 

Carol Garcia

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carnaval fim

Um menininho alegre, feliz e sorridente, com os seguintes aprendizados:

– “Eu mato, eu mato que roubou minha cueca pra fazer pano de prato”

– “Ei! você aí! Me dá um dinheiro aí!”

– “Olha a cabeleira do zezé! Será que ele é, será que ele é?”…

– É mamãe???? É o quê????

– Bicha? Como assim? Ele é bicho? Que bicho?

E as perguntas seguem:

– Não é ser humano?

– Mas esse Zezé é homem? E a Keith (nossa cachorrinha) então é bicha e não bicho?

– Ninguém viu o Zezé? Porque se viram dá pra saber se é gente ou bicho, não dá?

– Existe meio gente meio bicho? Ou bicha?

 

Bora então pra mais uma sessão de conversinhas sobre sexo, opções e diversidade.

A seguir cenas…

 

Carol Garcia

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