Categoria: Mamãe Blogueira

Categoria destinada à troca de experiências maternas por meio de divertidos textos da jornalista Carol Garcia

manifestaçoes

Obs: a notícia é velha, mas a conversa é ótima.

Isaac escuta quieto nossa conversa na hora do almoço.

Manifestações, povo na rua, direito, violência, partidos políticos, pronunciamento.

Ele só ouve esse mundo de palavra de gente grande e espera.

Eu e maridex continuamos falando sobre golpes, história, presidentes, copa das confederações.

Isaac espera.

Espera.

Até onde não se aguenta.

– Pai, do que vocês estão falando?

O pai explica, ou tenta, de uma maneira bem lúdica.

– As pessoas lá em SP estão muito chateadas porque andar de ônibus ficou mais caro.

– Mais caro quanto?

– Vinte centavos.

– hummm…

– E elas resolveram se juntar e fazer manifestações.

– Hã?

– Decidiram mostrar para as pessoas que mandam no preço do ônibus que o aumento não foi legal.

– Como?

– Elas vão até a rua segurando cartazes, gritando, pedindo que o preço da passagem seja bom para elas.

– ããããã…

Mas o pequeno continua com aquele olhar pensativo.

– E tem polícia?

– A polícia precisa ficar lá, filho, porque tem gente que manifesta com violência, quebra as coisas.

Isaac desviou o olhar e concluiu:

– Então lá em SP deve estar uma ZONA.

Fim.

 

Carol Garcia

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sim, seria

PAUSA

Atenção cara colega!

Esse post é mais uma nota.

Uma nota escrita por uma mãe cansada e num grau de desespero bem alto.

Feita exclusivamente por uma mãe exagerada em todos os sentidos.

Uma mãe que vê seu filhote crescer e descobrir tudo que a vida pode oferecer.

Todas as graças que essa vida tem. Sejam elas perigosas ou não.

São linhas escritas por uma mãe que – aos trancos e barrancos – descobriu depois de um tempo que nem todo tombo é tão grave, nem toda febre é tão alta e sim sim sim, tudo tem um jeito nessa vida.

Que você pode gritar, espernear, ter quantos pitis e chiliques quiser, mas cada coisa tem seu tempo, e que você vai ter que respirar fundo e esperar por ele, quase que todos os dias.

DESPAUSA

Seria infinitamente bacana se Isaac aprendesse a se banhar, trocar, comer sozinho, com a mesma destreza que aprendeu a arrotar em volume mais que alto, subir na janela, pular no sofá, escalar as portas de armário e trepar na pia do banheiro…

Sim seria…

Suspiros.

 

Carol Garcia

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poetizando]

Criança sente tristeza.

Sente sim.

Isaac não teve um de seus melhores domingos.

As coisas não foram bem do jeito que ele imaginou.

Mesmo no meio de um bando de crianças ele se sentiu sozinho.

E se entregou à solidão.

Atrás do sofá, debaixo da mesa, no canto da sala, com seus filminhos.

Inventou dor na perna, chorou, escolheu a afta como melhor amiga.

Se sentiu um estranho dentro da própria casa.

Depois, no final do dia, pediu colo, ficou junto, chorou mais.

Tomou banho, se aninhou, agarrou o paninho.

E antes de pegar no sono, me pegou pelo braço enquanto eu beijava sua testa.

Abriu os olhos com força e disse que tinha odiado o dia.

Quando perguntei o que ele estava sentindo, fez poesia com a angústia:

– Acho que estou doente, mamãe. Com uma dor forte aqui (no peito), que parece ânsia de vômito, mas quando o vômito não quer sair.

Teve uma noite das brabas, meu pequeno, quase não dormiu.

Chamou, gritou e ficou febril.

Eu abracei, forte, toda a madrugada.

E fiquei com raiva da vida, essa vilã.

 

Carol Garcia

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verdade

E então que a culpa é minha. Tá, sempre é, mas desta vez é mesmo.

Eu tô assim, além de culpada, sendo empurrada. Estou num processo importantíssimo.

Decisões, escolhas, mudanças. Elencando prioridades, colocando tudo na balança.

E qual o motivo disso?

Bom,

Além do “tá na hora”, aliás, já passou dela, mas com certas coisas sou super cuidadosa, tem o motivo master de eu ter me perdido em alguns propósitos.

E esses, meu bem, tem tudo a ver com a Carol que escolheu constituir família, ser mãe, lutar por isso com todas as forças.

Eu fiquei sem tempo. Tempo pra tudo e tempo para nada.

Horários, horários, horários. Noites mal dormidas, dias mal aproveitados.

Qualidade de vida nível zero.

Logo, fui vendo como tudo isso afeta na vida lá em casa.

Sério, triste, mas graças a deus e a boa vontade do ser humano, tem conserto.

Primeiro que eu vivo morta. De cansaço e falta de vontade.

Depois que ninguém é feliz assim. E se eu não tô feliz….

Esse feriado mesmo.

Trabalhei na quinta, na sexta e no domingo.

Ontem a tarde vi que Isaac estava a ponto de me matar sufocada com uma peça de lego.

Olhei bem nos olhos dele e perguntei:

– A mamãe está muito chata?

– Ô se está.

Morri um pouco. E com uma dor inexplicável prometi a ele e a mim mesma que as coisas iriam mudar.

Iriam , não! Já começaram. Decidido, definido, pronto.

Hoje vai ser diferente.

Tapete da sala, corrida pelos quartos, relógio bem longe.

E eu escrevendo agora, sinto outra coisa.

A saudade que eu estava disso tudo.

Dessa vida.

*Observações para mim mesma:

Não, ainda não é uma opção tirar Isaac do inglês e da natação.

Primeiro que natação, além de fazer bem à saúde e ser uma questão de segurança, filhote gosta, se sente bem. Sente falta da atividade quando não vai.

E o inglês – tirando o contato com outro idioma (o que acho sim importantíssimo já que tudo é ou tem a língua inglesa no meio) – é um momento de confraternização com os amigos. São 3 meninos na turma, que se gostam e se entendem. E por mais que eu ame brincar com meu filho, sei que nunca vou superar as brincadeiras com os pequenos da mesma idade.

E eu não matriculei Isaac nessas atividades por desespero. Nem estou procurando desculpas para terceirizar momentos com o meu filho, até porque enquanto ele está lá, sendo criança, eu estou na salinha de espera, sendo mãe.

Carol Garcia

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preguiçosa

Isaac, meu filho lindo de 4 anos e quase 8 meses, está crescendo.

Cresce em tamanho. Perde as calças, as meias, os sapatos, as camisetas.

Perde e ganha.

Repassa uniforme para o primo, brinquedos aos amigos (que ele mesmo escolhe o que vai pra quem e eu me mato de orgulho – de mim e dele), roupas ao filho da moça que nos ajuda em casa.

E assim cresce como pessoa, ser, indivíduo.

Está mais consciente de quem é, das consequências de ser, do agir, do sentir, do saber e do não saber.

E é aqui que começa o papo que motivou esse post.

E é aqui que o processo educacional, já complexo e intenso, se transforma.

Lógico que (tentamos) seguimos na linha entre coerência e loucura.

Entre paciência e loucura.

Entre respirar fundo e sair correndo.

Mas não desistimos.

Eu não desisto.

Acontece que Isaac tem características bem marcantes.

E nesta fase vamos descobrindo que algumas delas devem ser trabalhadas o quanto antes.

O objetivo não é removê-las.

É aproveitar o melhor e o pior delas para o bem.

Bem do Isaac, desta família e alegria geral da nação.

Ouvi de uma querida a máxima “nasceu de 7 meses” ao presenciar as crises de pressa que meu filho tem.

Pensei em ter alí na frente uma adivinha.

Isaac nasceu mesmo de 7 meses.

Se é por conta disso ou não, eu não sei.

Se é por cor causa dos meu erros de mãe coruja ao extremo, que sempre atendi tudo com rapidez, pode ser.

Se é porque ele ainda não sabe que paciência é a maior riqueza que podemos carregar para a vida, talvez.

Isaac vive com pressa. Não tem um pingo de paciência para esperar um prato ou uma resposta.

Reclama, resmunga, se irrita.

E eu, graças a deus, pacientemente, tento mostrar que esse não é o melhor caminho.

(Pra algumas coisas, talvez seja, mas agora acho que não é)

Una então, a plena preguiça em ter paciência com a plena preguiça e com o fato de termos em casa um fruto de uma geração que vive do imediato, da rapidez e do descartável.

Ontem mesmo tivemos uma experiência

Eu e Isaac juntos.

Voltando da escola ele adora tirar os sapatos no carro.

Já expliquei que ele deve olhar para o cadarço antes de puxar.

Mas ele não olha e fica uma arara quando o laço vira nó.

E puxa mais forte. E o nó se torna um inimigo invencível.

Resolvi usar a oportunidade para pedir que ele tentasse ir se livrando do nó até em casa.

Como se fosse um jogo.

Ele desistiu em 2 segundos.

Insisti no lance da paciência.

Nada.

E ouvi uma boa porção de “eu não consigo”

E estremeci em cada uma delas.

Vi alí, então, a necessidade de falar sobre persistir.

Contei que, se eu tivesse desistido não o teria.

Aliás, não teria nem marido, nem namoro, nem faculdade, nem profissão.

Sei que as dificuldades da vida parecem ser assunto duro demais para uma criança de 4 anos.

Mas alí foi necessário.

Não aguentei ver meu filho vencido por um nó de cadarço.

Sei que da experiência de vida que ele tem, um nó pode ser uma muralha, mas é preciso começar a aprender a escalar, desbravar, descobrir.

E assim, aprender que para tudo há limites.

Até entre não desistir e se entregar.

O que é extremamente normal.

Se entregar não é uma doença, mas acho que não pode ser uma primeira opção.

 

Carol Garcia

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